terça-feira, 5 de setembro de 2017

Novos pontos de Vista

Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.” Thomas Edison.
No último sábado em São Paulo, a Globo News, através da sua iniciativa Prisma - Novos Pontos de Vista - fechou metade do quarteirão de uma rua na região de Pinheiros, fez parceria com quatro co-workings e trouxe centenas de experiências gratuitas ao público, em forma de conversas, debates, palestras e oficinas, realizando um espetacular festival de Empreendedorismo e Inovação.

Por sorte, apesar de eu ter me inscrito apenas em quatro conversas, em algumas sessões coloquei meu nome na fila de espera e consegui entrar, podendo participar de momentos-surpresas, para os quais não havia planejado: melhor impossível!

Ouvi as jovens Ana Carolina Freitas e Giane Brocco falarem das pesquisas e aprendizados que têm adquirido com a biomimética: "A ciência que se inspira na natureza para argumentar a funcionalidade de produtos e de tecnologias". Ao lado do professor-doutor Wilson Nobre, discorreram sobre o mundo atual da abundância e sobre a urgente necessidade de nos conectarmos com a natureza, respeitando-a e aprendendo com ela, ao invés de explorá-la. 

Dentre alguns exemplos incríveis, mostraram, a partir de uma experiência de observação da proliferação de um fungo em flocos de aveia, que pesquisadores no Japão "capturaram os mecanismos-chave necessários para o fungo conectar suas fontes de alimento de uma forma eficiente, para construírem redes de comunicações e transportes mais seguras, mais eficientes e mais custo-efetivas, a partir das rotas traçadas pelo fungo".*

Depois, em duas apresentações energizantes sobre Cidades Inteligentes, a jornalista Natália Garcia e o arquiteto e urbanista Washington Farjado falaram sobre uma nova perspectiva em se atribuir inteligência nas cidades, excluindo a tecnologia como uma ferramenta fundamental para que a melhoria aconteça, trazendo exemplos de mudanças ocorridas em diversos contextos, de Veneza na Itália, a Portland nos Estados Unidos, passando por Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Neste, especificamente, fiquei abismada em saber que três milhões de pessoas se deslocam diariamente entre a zona leste e o centro de São Paulo - imaginem movermos um Uruguai todos os dias? - e, meu novo prisma, ao final, foi passar a pensar sobre como vivem os refugiados da nossa própria experiência urbana, tão pouco humana.

As duas participações seguintes foram as de bônus!: "Esgoto para beber: a água de reúso potável é uma ótima solução para a crise hídrica mundial. Mas precisamos filtrar o preconceito", com Eduardo Pacheco, atual diretor-técnico do portal de tratamento de água, que também mostrou, inclusive no Brasil, parcerias público-privadas que têm feito do esgoto água para beber.

Todas estas atividades foram no Impact Hub. Dali segui para o Ahoy Berlim para tentar a sorte - que me atendeu - e assistir ao painel "Negócios de impacto social: quando lucro é resultado do bem que você faz ao mundo", em que o meu novo olhar foi para ações voltadas aos direitos da criança e do adolescente, principalmente através das iniciativas do ErêLab - que eu particularmente não conhecia e amarrou bem a prática com a teoria do que é empreender socialmente.

De volta ao QG, a cereja do bolo foi o painel "Unschooling: a escola revolucionária que educa para o futuro", intermediada pelo jornalista André Trigueiro e apresentado por Leandro Herrera, fundador da startup de educação Tera, "que utiliza um método inovador de ensino baseado em projetos para formar uma nova geração de líderes em design, tecnologia e negócios na era digital" e pelo maravilho mestre José Pacheco, criador da Escola da Ponte, "uma escola sem séries, sem prova, sem “aula” e focada na autonomia e protagonismo do aluno".  

Dentre as várias perspectivas que eles trouxeram sobre o papel da educação e sobre o movimento contrário a ela que infelizmente as políticas públicas do Brasil adotam atualmente, a mais impactante para mim, que, utilizando as palavras do André, me "descortinou as ilusões", foi a da perversão do discurso que se há versus a pobreza das práticas e a obscenidade do silêncio dos pedagogos que são utilizados como objeto e não sujeito.

Sobretudo, que a curiosidade é a matéria-prima da aprendizagem e que sem o exercício de gerar significado, para atribuir vínculo, nenhuma forma servirá!

Ao final de tantas horas com incontáveis exemplos positivos, escolher a sua inquietação e tentar resolvê-la parece mesmo ser invencível. São anos e anos de esforço, sacrifício, mas sobretudo, de vivência de legado que se quer deixar no Brasil e, quem sabe, no mundo.

Fico extremamente feliz por uma organização como a Globo fomentar isso e colocar luz ao que não é sombra. Ao final dessa semana, o próprio canal da GloboNews deve exibir um programa especial sobre o que foi o festival. Caso você não tenha participado, sugiro se organizar para assistir: quanto mais inspiração as pessoas se permitirem sentir, mais pessoas vão acreditar que a mudança que querem ver começa mesmo na transformação de si.


*http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=fungo-supera-engenheiros-projeto-redes&id=010180100209#.WayEXciGPIU 




Nenhum comentário:

*Não adesão à nova regra gramatical.